sábado, maio 02, 2009

Fábula

Essa história ficou por alguns meses em minha mente. Originalmente ela iria ocupar lugar em outro conjunto de histórias - ainda por serem inventadas - as quais chamaria de "Contos de além do horizonte". O que segue abaixo foi escrito rapidamente em uma sala de espera. Deve haver algum descuido com o português ou a métrica, mas no geral, acho que está razoável.

-Diz me o que você faz
que a torna especial -
diz o corvo a lamentar
- do alimento que preciso
não consigo chegar perto,
pois lá há sempre um vigia
de olhos e braços abertos
que muito medo me dá,
mais que a fome a me assombrar.
Mas você tem um abrigo
para proteger do frio
e da chuva que cair;
e é só sair no quintal,
que a comida estará lá,
deixada por um senhor,
nem bondoso, nem malvado,
pois é o mesmo que alimenta
e ampara o soldado,
que o lugar sempre vigia
onde meu sustento está.
-Não faz nada por bondade -
diz a orgulhosa galinha
- o senhor que me alimenta,
pois também a ele dou
meus ovos todos os dias.
Se a mim me dá comida,
faz porque sou importante
e manter-me sempre perto
é pr'á ele necessário.
Mas se você ele afasta,
com um soldado incansável
de certo será porque
você aqui nesse mundo
não passa de um inútil!

Foi-se o sol daquele dia,
e também de outros tantos,
e notou-se noutro mundo
cantoria e agitação.
Lá os homens preparavam
com a alegria que tinham
grande festa e banquete.
E a Lua e o Sol assistiram
a festa daquela gente.

Noutro dia um vazio
fez notar-se no quintal
e o corvo que ali chegara
estranhou o acontecido,
mas logo, logo entendeu
como era importante
a orgulhosa galinha
pra festa daquela gente.


Se você já leu até aqui, então comente!

Um comentário:

Anônimo disse...

Putz! Ainda me pergunto o porque deste blog ter ficado tanto tempo parado. Espero que isso seja passado, bem vindo a ativa caro irmão e parabéns, escreva sempre, nós necessitamos ler.

Abraço.