sábado, maio 08, 2010

Uma parábola por Owen Barfield

Essa é uma breve parábola escrita por Owen Barfield no livro Poetic Diction, sobre as teorias empiristas e idealistas do conhecimento.

Era uma vez um automóvel muito grande chamado Universo. Embora não existisse ninguém que não estivesse a bordo, ninguém sabia como ele funcionava ou como operá-lo, e no correr do tempo dois problemas bem diferentes ocuparam a atenção de dois grupos diferentes de passageiros. O primeiro grupo ficou interessado em invisibilidades como combustão interna; mas o segundo grupo disse que a coisa a se fazer era empurrar e puxar as alavancas e descobrir por tentativa e erro o que acontecia. As palavras 'combustão interna', eles diziam, eram obviamente sem sentido, porque ninguém nunca havia empurrado ou puxado qualquer dessas coisas. Por um tempo ambos os grupos concordaram que o conhecimento de como aquilo funcionava e o conhecimento de como operar aquilo eram intimamente conectados um com o outro, mas, no fim, o segundo grupo começou a sustentar que o primeiro tipo de conhecimento era uma ilusão baseada no mal entendimento da linguagem. Empurrar, puxar e ver o que acontece, eles diziam, não eram meios para o conhecimento; eles eram conhecimento. Esse era um estranho tipo de carro, porque, depois que o segundo grupo tinha, com evidente e gratificante sucesso, tentado empurrar e puxar todas as alavancas grandes, eles começaram com algumas das menores, e o carro era construído de tal forma que quase todas elas, qualquer que fosse outro efeito que tivessem, agiam como aceleradores. Enquanto isso, o primeiro grupo segurava sua respiração e começava a pensar que seu tipo de conhecimento podia talvez ser útil após o desastre.


BARFIELD, Owen. Poetic Diction: a study in meaning. Middletown: Wesleyan University Press, 1973. p. 23-24

Se gostou, leia aqui a tradução do "Prefácio" por Howard Nemerov, a essa mesma edição publicada nos E.U.A.

quarta-feira, abril 07, 2010

Três poemas

Esses são três poemas, o primeiro já um pouco antigo, os dois últimos bem recentes. Nenhum deles foi composto de forma isolada. Canto num salão vazio é uma espécie de introdução para uma historinha cômica, também escrita em versos, que envolve um dragão, um rei, uma rainha má e um cavaleiro. Aladar e Ialla são personagens de uma história mais longa de uma viagem em um universo fantástico. Na primeira versão dessa história havia apenas Ialla, a rainha da Cidade Dividida; já na segunda, o herói troca o nome e passa a se chamar Aladar, em vez de Alfredo, e a história deixa de ser dividida em dois planos e passa a ser um único universo. Mas essa segunda versão só existe na minha cabeça. O nome Aladar foi tirado de uma série húngara de desenho animado, que passou na TV Cultura, chamada As viagens da Família Mézga. Não sei se esse nome possui algum significado especial em húngaro, mas eu quis atribuir um sentido: aquele que canta o humano, ou a alma humana. Enfim, aí estão eles:


Canto num salão vazio
Onde um dia houve rei
Canto ao salão sombrio
Canto a toda minha grei.

Velhos castelos evoco,
Cavaleiros e princesas.
Cantarei o branco floco
E as trevas das profundezas.

Tempestades e dragões,
Sonhos doces e tormentos,
O passar das estações,
Tantos outros sentimentos...


Aladar

Um forasteiro
uma canção
a voz que fala
a alma que inventa
sem sentimento
nenhum além
de ser e criar
como se é
como se vive
como se sente
e não apenas
como se vê.

E ser assim
ser para sempre
apenas ser.


Ialla

Esse amor que só tu tinhas
pela vida, pelo mundo
e pelas coisas que crescem;
e as habilmente forjadas
pelo amor e pela arte,
tão humanas quanto tu.

Agora que estão teus olhos
fechados pelo cansaço
que se arrasta pelos dias
como vais amar aquilo
que já não sentes, não sabes?

Agora só canta a memória.

Deixa a terra envolver-te
fecha os olhos
para sempre
Silencia.

domingo, março 07, 2010

Fechando o caderno


Esse blog foi concebido como um caderno, um repositório de ideias mais ou menos elaboradas, um espaço para exercícios de tradução, crítica e, principalmente, para falar sobre as coisas que eu gosto.

Porém, outras ideias apareceram no caminho, propostas de participação em outros blogs, minha dissertação de mestrado e agora devo me concentrar em outros trabalhos. Portanto, o caderno permanecerá fechado por algum tempo. Essa não é uma despedida, mas provavelmente uma longa pausa.

Então, até breve.

André Modesto

P.S.: Eventualmente estarei contribuindo para o blog Papos&Goles.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Politwittiticando


Quantos caracteres são necessários para se expressar ideias boas e relevantes? Certamente mais de 140!

Uma pequena homenagem a um dos espaços mais mal utilizados da internet.


Esse é outro texto da coluna “ideias menos modestas”, que pretende ser uma área de polêmicas sobre o uso da linguagem em nosso cotidiano. Alvos principais: mídia, publicidade, discurso escolar, auto-ajuda, motivação empresarial e qualquer outra forma de manifestação que se configure como um bloco fechado de ideias.

domingo, fevereiro 21, 2010

Aventuras na floresta


Hoje eu reencontrei esse texto, que já nem lembrava que tinha escrito, e, como achei bonitinho, resolvi postar. É uma historinha sem pretensões, apenas para divertir... ou não. Esse aí do lado é o Totoro, personagem de um desenho japonês.

Depois de assistir mais uma vez ao desenho do Totoro, toquei meu violão e invoquei o Juka. Contei pra ele a história e tivemos a ideia de ir procurar o Totoro.

Chegando na floresta, o Juka, que também é dado a elocubrações filológicas, pensou: "Se o Chihiro é A Chihiro, então esse tal Totoro também deve ser menina!"

Procuramos e procuramos, até tocamos a musiquinha, eu em meu violão e o Juka no pífaro. Mas não apareceu nada, apenas um saci que disse que estávamos tocando horrivelmente e veio pedir cachaça; como não tinhamos, ele foi embora.

Uns dez minutos depois fomos embora também. Porém, no curto espaço que deveríamos percorrer pela floresta, houveram inusitadas aventuras. Sem qualquer explicação, todas as cordas do meu violão arrebentaram e me causaram alguns arranhões na mão. O Juka, coitado, assustou-se, tropeçou e caiu sentado em cima do pífaro, quebrando-o ao meio.

Logo imaginamos que isso só poderia ser coisa do saci e fugimos logo dali.

Assim acabaram nossas aventuras na floresta.



MORAIS DA HISTÓRIA:
Nunca procure Totoros em terra de saci.

Jukas não atraem Totoros.

Se for para a floresta, leve cachaça.

Jamais desagrade um saci.

Se você vir um juka e um saci e estiver a procura de um totoro, não diga que as cordas do seu violão
arrebentaram espontaneamente.

Criaturas do folclore japonês não vieram com a migração.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Essa tal liberdade... - desdobramentos da mídia e do jornal

O que é que eu vou fazer com essa tal liberdade
Se estou na solidão pensando em você
Eu nunca imaginei sentir tanta saudade
Meu coração não sabe como te esquecer


Eu andei errado, eu pisei na bola
Troquei quem mais amava por uma ilusão
Mas a gente aprende, a vida é uma escola
Não é assim que acaba uma grande paixão

(Só pra contrariar)

Já digo de antemão que estou bem ciente do quanto esse artigo possa ser desmerecido, seja pela minha pouca idade e experiência ou mesmo pela escolha dos versos introdutórios. Porém, às vezes fico impressionado com a capacidade de nossa cabeça em organizar ideias, opiniões e objetos de modo que surja um resultado quase poético.

Desde que eu comecei a tomar consciência de como se editam jornais e transmitem notícias, seja por meio impresso ou pela televisão, tenho sido incomodado pela minha própria opinião negativa a respeito da mídia. Para começar, perturba-me a falta de prioridade dos noticiários. Em todos há um espaço diário dedicado ao esporte – leia-se futebol; em nenhum há um espaço diário dedicado à educação, cultura, novas ideias etc. Em geral, transita-se pelos assuntos policiais, alguns temas políticos (supomos que muita coisa ainda fique por baixo dos panos), catástrofes provocadas pela natureza ou pelo homem e o tal do futebol. Algumas emissoras passam de um assunto para o outro na maior velocidade possível, para que o espectador não tenha tempo de refletir sobre o que acabou de ver e ouvir; outras, aquelas que produzem um “jornalismo crítico”, limitam-se a comentários do tipo “Isso é uma vergonha!” ou jogam logo um respeitável senhor de cabelos brancos que falará indignado contra todas as falcatruas do país, dando “voz” aos sentimentos de toda a nação, em outras palavras reafirmando o senso comum. Estabelecido o ritual, ele é repetido dias e dias a fio, como se fosse uma missa, variando apenas o conteúdo da homilia.

Esses são exemplos apenas dos jornais televisivos, mais acessíveis à população.

Tomado por essa opinião tão negativa, foi quase inevitável que me surgisse a ideia de fazer algo a respeito. Mas, é claro que isso não é tarefa fácil, pois nossa liberdade não inclui um acesso ao discurso de fato. Então, diante da indignação de mãos atadas, é óbvio que a pequenez do espírito humano nos conduz à maldizer aqueles que poderiam fazer algo mais interessante e não fazem...

Desviando um pouco o foco, recentemente o governo federal tem sido alvo de algumas polêmicas que giram em torno do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3). Os ataques vêm de todo o lado e de toda a forma, que muitas vezes impressionam pelo cinismo e até por certa má vontade. Um exemplo é José Casado, que, em texto publicado no site do jornal O Globo, diz que o texto é árido e extremamente tortuoso – algo que tira a vontade de qualquer ser humano de se informar sobre o assunto. Em outros casos, dá-se logo um grito exaltado: “O Governo quer voltar com a censura!” Paulo Renato em seu blog já falava de uma “escalada do autoritarismo”, que colocaria em risco a democracia representativa em favor de uma “democracia direta”, modelo que, segundo ele, teria sido usado para legitimar a Revolução Cubana. Isso para não falar de uma já possível rebelião militar que derrubaria o governo, escândalos com a igreja católica etc.

Longe de ter censura, falou-se o que se quis sobre o tal programa, mas muito pouco se informou sobre ele. Faltava mesmo um pouco de didatismo de boa vontade explicando o que quer dizer cada coisinha ali escrita!

Contudo, na contra-mão do conhecimento e da sociedade civilizada e democrática (seja lá o que isso quer dizer hoje em dia...), transforma-se tudo em obscurantismo. Há o medo do vermelho, do homem barbudo e da ditadura, que foi de direita!

Mas, o que fazer com o desejo de voltar a tempos românticos, quando tínhamos um inimigo bem definido e podíamos gritar entusiasmados pelas Diretas! A Folha de S. Paulo, em 17 de fevereiro de 2009, até a chamou de “ditabranda”!

O que se percebe é que o dom da tão querida e comemorada liberdade foi assumido por pessoas um tanto imaturas, que, depois de tanto lutar, disseram: “E o que a gente faz agora?” “Ah! Vamo falá de futebol!”

Chegando ao nosso objeto, a canção do Só Pra Contrariar, nesse contexto específico, não só aparece como bastante adequada como recebe ainda um tempero especial do nome do grupo!

O assunto iria longe. Por sorte, acho que não fui o primeiro a notar isso.


Quem quiser olhar o PNDH-3, clique aqui e se surpreenda com uma quantidade menor de escândalos e algumas medidas que parecem bastante necessárias.


Esse é outro texto da coluna “ideias menos modestas”, que pretende ser uma área de polêmicas sobre o uso da linguagem em nosso cotidiano. Alvos principais: mídia, publicidade, discurso escolar, auto-ajuda, motivação empresarial e qualquer outra forma de manifestação que se configure como um bloco fechado de ideias.

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Tzvetan Todorov - "Literatura não é Teoria, é Paixão"


Os livros acumulam a sabedoria que os povos de toda a Terra adquiriram ao longo dos séculos. É improvável que a minha vida individual, em tão poucos anos, possa ter tanta riqueza quanto a soma de vidas representada pelos livros. Não se trata de substituir a experiência pela literatura, mas multiplicar uma pela outra. Não lemos para nos tornar especialistas em teoria literária, mas para aprender mais sobre a existência humana. Quando lemos, nos tornamos antes de qualquer coisa especialistas em vida. Adquirimos uma riqueza que não está apenas no acesso às idéias, mas também no conhecimento do ser humano em toda a sua diversidade.


Esse é um trecho de uma entrevista com o já quase lendário Tzvetan Todorov - dica da @biislopes, publicada no site da revista Bravo!

Para quem se interessa por leitura, literatura e educação, vale a pena conferir:

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Inclusão às avessas

Esse é o texto de estreia da coluna “ideias menos modestas”, que pretende ser uma área de polêmicas sobre o uso da linguagem em nosso cotidiano. Alvos principais: mídia, publicidade, discurso escolar, auto-ajuda, motivação empresarial e qualquer outra forma de manifestação que se configure como um bloco fechado de ideias.


Uma das palavras correntes na mídia nos últimos anos é inclusão. Frequentemente puxado, esticado até quase arrebentar, o sentido que se apreende dessa palavrinha mágica nem sempre é claro. Entretanto, não se deve pensar que essa dilatação e subversão de sentido seja uma exclusividade de “inclusão”. Pelo contrário, é só pensarmos em “democracia”, “cidadania”, “liberdade” e possivelmente mais uma dezena de outras.

Mas alguém com voz exaltada e surpresa irá perguntar: “Mas o que não está claro?” Pois é, o que parece óbvio, mas não é, é quem deve ser incluído.

Talvez seja muita inocência de minha parte acreditar que, quando se fala em inclusão, o alvo da proposta seja primariamente as pessoas. Em algum momento ou em algumas áreas bem delimitadas isso pode até ser verdade. Por exemplo, alguém sem emprego que é recrutado por uma grande companhia para realizar qualquer tipo de serviço que ninguém mais realizaria, por um salário mais miserável e sem perspectivas de crescimento. Essa pessoa foi “incluída” no mundo do trabalho, não há dúvida, mas é lógico que para falar de dignidade já temos que dar um passo muito grande.

Mas o que me interessa aqui é algo um pouco mais abstrato: inclusão cultural.

Em geral, o movimento de inclusão cultural que se pode observar consiste em trazer a cultura de periferia para o centro, incorporando o funk, alguma coisa (mas não tudo) do RAP, o grafite e o break no cotidiano das pessoas de classe média ou alta. Assim, todo mundo tem uma experiência antropológica com a cultura de periferia e pode até fingir, sob os auspícios do politicamente correto, que aceita ou que acha bonito, colocando os artistas mais rebolantes na TV ou promovendo bailes funk apenas para convidados muito importantes.

Enquanto isso, as pessoas da periferia continuam na periferia.

Outra forma de “inclusão” acontece no discurso escolar, mais precisamente nas aulas de português. Uma das máximas da pedagogia dos últimos anos é “respeite a identidade do aluno”, ou seja, o seu modo de fala, seus gostos, sua postura etc. Enfim, o professor deve adotar uma atitude que não vise mudar o aluno, ensine uma coisinha aqui e outra ali mas não o faça se sentir tão bem que venha almejar algo como ascensão social por meio da educação, por exemplo.
Dessa forma, o que à primeira vista parece respeito a outra cultura e outro modo de vida acaba se tornando uma camisa de força, que impede o contato das pessoas mergulhadas nesse meio social com a cultura dominante. Todos sabemos que não é chamando os outros de “mano” ou “sangue bom” que se consegue um bom emprego, ou mesmo votos. Não adianta, portanto, abraçar a cultura da periferia e impedir os “periféricos” de chegar aos centros da cultura compartilhada por uma elite intelectual, a saber, museus, bibliotecas, pinacotecas, teatros, cinemas, universidades, salas de concerto etc.

A “inclusão” torna-se, então, uma via de mão única, na qual só trafega aquilo que é passível de ser tornar mercadoria, especialmente a música e a moda; não as pessoas.

Mas, posso estar enganado. “Inclusão” vem do latim inclusĭo, que significa “encerramento, prisão”.

sábado, janeiro 30, 2010

Es ist an der Zeit

Este é apenas um ensaio de tradução. Está bastante literal, nada demais. É um fragmento do Novalis:

Es ist an der Zeit

Glänzend steht nun die Brücke, der mächtige Schatten erinnert
Nur an die Zeit noch, es ruht ewig der Tempel nun hier,
Götzen von Stein und Metall mit furchtbaren Zeichen der Willkühr
Sind gestürzt und wir sehn dort nur ein liebendes Paar –
An der Umarmung erkennt ein jeder die alten Dynasten,
Kennt den Steuermann, kennt wieder die glückliche Zeit.


Ao tempo

Resplandecente está pois a ponte, que lembra poderosas sombras
Só ao tempo ainda, descansa eternamente o templo aqui agora,
Ídolos de pedra e metal com terríveis desenhos da arbitrariedade
Desabaram e nós lá vemos apenas um casal enamorado -
Aos abraços, um reconhece cada um dos antigos dinastas
Conhece o timoneiro, conhece outra vez os tempos felizes.

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Feliz Ano Novo

Sem dúvida, o ano de 2009 foi um dos piores da minha vida. Perdi pessoas, animais de estimação, fé na profissão que escolhi; surtei, chorei uma semana sem parar; fiquei doente, tomei anti-depressivos; me acalmei, mas continuei sem fé. Retomei esse blog para continuar são e, provavelmente, foi uma das melhores coisas que fiz.

Embora o começo de 2010 ainda não tenha dado fim à coleção de desgraças de 2009, sempre pensamos em um ano novo como uma oportunidade de transformar as coisas. Então fazemos um monte de promessas bizarras sobre coisas que a gente sabe que deveria fazer e não fez por preguiça, medo, comodismo etc.

No fim das contas, a gente só quer é se sentir bem, mesmo que continue fumando ou continue gordo; mesmo que não case, não fique rico, nem seja promovido.

Por alguns momentos, esse blog conseguiu fazer eu me sentir bem e, talvez, a única coisa que eu deva tentar (fora as obrigações) seja continuar escrevendo, acreditando que minhas ideias estão por aí sendo lidas, comentadas, criticadas, repensadas, por um monte de gente que eu não conheço e que também não me conhecem, podendo inclusive me achar arrogante, piegas, de mau gosto, infantil, pretensioso, esnobe... mas esse é o meu jeito de existir no mundo.

Enquanto minha não existência não chega, continuo com minhas ideias modestas.

Obrigado a todos que leram, comentaram e me deram força - estejam agora do meu lado ou não.

Feliz Ano Novo!

Até breve.

domingo, dezembro 13, 2009

Algumas bandas para você conhecer antes de terminar o ano

Certamente, meus leitores já devem ter percebido que esse blog não está preocupado em estar "antenado" com as últimas novidades da música ou do mundo. Pois bem, hoje estava ouvindo algumas musicas que me acompanharam por anos, e claro que não são músicas novas. Então, antes de acabar o ano, fica aí algumas dicas de bandas nem tão novas assim, mas que merecem ser conhecidas:



Pensei que Sepultura acústico não existisse, mas tá aí! Ficou bem legal o som!



O Blind Guardian é uma banda alemã precursora do power metal e de outras medievalidades que foram surgir na década de 1990. Faziam músicas sobre a obra de J. R. R. Tolkien muito antes do lançamento dos filmes e essa é sobre Bard, um personagem de The Hobbit que mata o dragão Smaug com sua flecha negra.



Stratovarius é uma das grandes bandas do metal melódico, mas faz tempo que não ouço nada de novo deles.



Jethro Tull é, na minha opinião, uma das bandas mais injustiçadas dos últimos tempos. Super criativos e com boa qualidade técnica foram influência para muitos roqueiros de vários estilos. Mas a MTV só lembra deles para falar que o tecladista mudou de sexo... Parece-me que o vocalista Ian Anderson ainda está na ativa. (Pena que essa gravação está ruim.)



Renaissance foi uma daquelas bandas que faziam o álbum inteiro com duas músicas de vinte minutos, mas sempre músicas muito bonitas e expressivas, que conseguiam ser suaves e fortes ao mesmo tempo. Além da bela voz de Annie Haslam, é importante ressaltar a influência do compositor Debussy, que contribuiu para trazer cores novas ao som da banda.



Cansado do mundo do show business, Ritchie Blackmore largou o Deep Purple, fez e desfez o Rainbow para, então, junto com sua futura esposa Candice Night, formar o Blackmore's Night. Observando a trajetória da banda é interessante observar como ela evoluiu de uma banda com poucos recursos para uma banda grande com vários músicos, figurino etc. Misturando músicas medievais e tradicionais ao pop e ao rock, essa é uma daquelas raras bandas que conseguem ser únicas.

Confesso que atualmente sei menos do que eu gostaria sobre o Arnaldo Batista. Essa música é a primeira do disco Loki, sem aquela felicidade de anti-depressivos dos Mutantes. E quem tiver a chance de ver o documentário, não perca.



Encerro com a Legião Urbana, uma banda mais do que conhecida para o pessoal da minha geração, mas que tem sido pouco lembrada. Ainda me emociono com suas músicas... e é isso.

Feliz Natal para os cristãos e um bom Ano Novo a todos!
Obrigado àquelas pessoas de todo o mundo que visitaram esse blog e contribuíram para que ele tivesse mais de 1000 visitas nesses últimos meses - pode não ser muito, mas é muito mais do que minha modéstia esperava.

quarta-feira, novembro 18, 2009

Fazendo arte

Tenho que confessar: queria ser artista. Gosto do trabalho deles e penso que, no geral, devem ser pessoas bem legais e interessantes - pelo menos antes de terem seu ego inflado em demasia... Mas, artista não sou. Talvez por falta de talento, ou de disciplina. Provavelmente os dois! E há ainda a questão do dinheiro, porque, para ser artista, você tem que ter algum dinheirinho guardado; principalmente pelo fato de que, cedo ou tarde, você possa vir a passar fome.

Estive pensando nessa questão e cheguei a conclusão de que deve ter sido legal o tempo em que todo artista, descaradamente, trabalhava para ganhar dinheiro. Hoje, isso é pecado! Veja bem, um bom artista deve viver para a arte e não da arte, pois ela é uma coisa sublime, que não pode ser medida ou avaliada em coisas tão banais quanto dinheiro...

Voltando à questão, deve-se perguntar por que motivo um artista abandonaria o amparo do mecenato: em prol da liberdade artística e da melhoria da arte? Bobagem! Camões era um belo de um puxa saco e, nem por isso, escreveu porcaria. O que diríamos ainda das obras de Rafael, Michelangelo e J. S. Bach que trabalharam para a igreja? E não vamos falar que a moda não pegou no Brasil, hein! D. Pedro II: bolso aberto para a arte!

Bom, mas os tempos são outros. O verdadeiro artista não deve estar pegado a instituições, principalmente (que Deus os livre!), à igrejaS. Além disso, para não cometer o erro de ficar famoso, deve dedicar sua obra para meia dúzia de "iniciados", na maior parte jornalistas e pessoas ligadas à universidade, que fingirão entender e gostar do que é exposto, escreverão resenhas e críticas, indicarão aos amigos e, um dia, chegará aquele figurão milionário que vai comprar a obra (caso seja possível) para depois leiloar e doar tudo para a caridade.

Espero que ninguém pense que estou falando mal dos artistas - ou de certo tipo de artista. Longe de mim! Como disse, eu bem queria ser um deles... Mas é tão difícil!

Se você quiser ser músico, por exemplo, deverá fazer aulas durante alguns anos, em um bom conservatório ou com um bom professor. Depois, você vai querer entrar em uma faculdade e logo, logo, vão olhar para o seu instrumento. Aí vem a bomba. Vai comprar um bom instrumento. Então percebe-se que não dá para virar músico sem desembolsar no mínimo uns trinta mil reais.

Ah, mas vamos para pintura e demais artes plásticas. Você pode ser bem criativo e modernoso fazendo arte com coisas que encontra na rua (leia-se sucata). Mas um dia vai chegar o momento quem que será necessário pintar um quadro, esculpir mármore, ou aço, ou bronze... então, corre atrás de um mestre que lhe ensine as técnicas; compra material; pensa, faz, sua, se machuca, termina e...

Talvez, o melhor negócio esteja nas artes cênicas. Vai lá, faz umas aulinhas de teatro... O que você precisa é, basicamente, seu corpo, agente, figurinista, diretor, outros atores, um teatro, ou uma emissora de TV, ou um diretor de cinema (se você for bastante versátil para transitar pelas três áreas!), contatos, patrocinadores e, se possível, seja bonito! É o mais importante de tudo!

Chegamos, por fim, à literatura. Pode-se dizer que para ingressar nesse mundo o único requisito básico é saber falar. Todavia, o mundo da literatura oral não tem lá muito prestígio; é mais como uma curiosidade para antropólogos e criaturas afins, embora possua um caráter formador de identidade muito importante para todos os povos. Mas o legal mesmo é escrever livros: vê-los impressos em letra de forma, por uma grande editora; vender milhões de cópias; e, como reconhecimento supremo, ver uns coitadinhos se batendo uns contra os outros na tentativa de tentar entender, explicar, super-valorizar aquilo que você escreveu! No entanto, nunca menospreze esses coitadinhos, eles são os melhores amigos e os piores inimigos que alguém poderia ter.

De início, diria-se que não é necessário nenhum apetrecho caro para começar a escrever. Um bom caderno e uma caneta já dariam conta do recado!

É, mas nem tudo é tão simples... lembram-se daqueles coitadinhos? Eles ralaram muito para se tornarem coitadinhos e, então, não vão deixar que você entre assim tão facilmente em seu reino encantado. Pode tratar de revirar as gramáticas de cima abaixo; ler todos os clássicos, de preferência no idioma original; perder o sotaque interiorano (paulistanês e carioquês são mais bem quistos); reforme o guarda roupa; participe de eventos sociais; aprenda a elogiar o trabalho dos outros (críticas, resenhas, poemas, contos, romances etc.); intere-se das vanguardas e das últimas tendências da arte inventadas na década de 1960; enfim, faça de sua pessoa um personagem. Aí, depois que gastar um bom dinheiro para se entrosar com o meio artístico e da crítica, virão sugerir-lhe que publique um livro, afinal, você é tão inteligente!

Pena que essa pompa toda não serviu para valorizar a arte! Tornou-se apenas hobby ou atividade para crianças no jardim da infância ("Olha que rabisco bonito" - disse a tia).

Triste.

terça-feira, novembro 10, 2009

Uma proposta interessante: filhos de políticos na escola pública

Ao que parece, a grande mídia não se preocupa muito com o estado da educação no país. Pelo contrário, só se volta para ela quando entra em questão um falso moralismo envolvendo algum vestido curto demais e outros assuntos tangentes de menor importância. Pois é, mas o que a mídia tem a ver com o caso?

É ela que se propõe como porta-voz da sociedade. Investiga. Influencia pessoas do povo e do governo. Cria heróis e vilões. Mas, principalmente, escolhe tudo aquilo que você deve ou não saber. É o quarto poder.

Em matéria de saber coisas (principalmente atualidades), confesso não ser especialista. Não que eu não possa vir a ser; isso se deve unicamente ao fato de que tenho outras ocupações no momento. Entretanto, essa manhã chega ao meu e-mail uma proposta bastante interessante do senador Cristovam Buarque: todos os agentes públicos eleitos deveriam matricular seus filhos na escola pública. Acho que não é necessário ser adivinho para saber onde vai parar um projeto de lei como esse. Todavia seria bastante interessante (além de divertido) ver um movimento da mídia, pressão popular, ou algo num estilo #forasarney, exigindo a aprovação imediata da lei.

É, mas essas coisas não acontecem. O projeto foi elaborado em 2007 e ainda esta (en)rolando através da burocracia do senado. Quem quiser mais informações é só conferir em:



NOTA: Não tenho qualquer tipo relação com o senador, nem com seu partido. Isso não é propaganda.

domingo, outubro 11, 2009

Onde estão nossos heróis?

A todos que se sentem órfãos de heróis

Em uma aula de alemão deveríamos escrever uma redação sobre alguma personalidade brasileira importante. Dentre todas as ilustres figuras que surgiram das redações dos alunos, uma foi bastante destacada: Elis Regina. Até a professora de aparência severa se comoveu e explicou o que a Elis representou para sua geração.

Em plena ditadura, ela dava voz aos anseios dos jovens e, talvez, até mesmo de pessoas mais velhas. Todos se preocupavam com ela, se, cedo ou tarde, os militares não iriam prendê-la, fazê-la sumir ou algo assim. Sem contar o seu talento como cantora e suas interpretações quase teatrais que faziam com que Elis conquistasse o seu público.

Devemos lembrar ainda da personalidade bastante generosa da cantora, que emprestou sua voz a canções de outros compositores, como Tom Jobim, Belchior, Adoniran Barbosa, entre outros, criando, assim, versões inesquecíveis de músicas como “Águas de Março”, “Como Nossos Pais”, “Tiro ao Álvaro”, “O Bêbado e a Equilibrista” e, provavelmente ainda muitas outras.

Mas, infelizmente, não vivi o tempo da Elis. Meu herói foi outro...

Hoje faz treze anos que Renato Russo morreu. Na época eu só tinha onze anos e confesso que mal sabia quem ele era. Mas fui conhecendo-o com o tempo, principalmente através de suas canções. Também ouvia entrevistas e assistia a vídeos, e, com o tempo, talvez eu tenha incorporado muitas coisas das músicas da Legião Urbana em mim – é assim que fazemos diante dos nossos heróis –, embora algumas lições sejam difíceis de entender, como o fato de que só há perfeição em nossos sonhos, que para dominar o mundo basta aprender a amar e que liberdade é pensar por si mesmo. É, talvez isso soe muito piegas ou clichê, mas, de fato, suas ideias e sua música me agradaram, eu escolhi ouvi-las por um longo tempo e as ouço até hoje. Nem o Renato Russo, nem a Legião me foram impostos, descobri um pouco por conta própria ou com a ajuda de meu irmão, amigos e da precária Internet discada que existia lá pelos anos de 1996 à 1998.

Em meio a sentimentalismos e comoções, é estranho notar que estes nossos heróis, como todos os seres humanos, um dia se cansaram. Quiseram deixar de ser heróis. Renato brincava bastante com isso, de um jeito às vezes provocador que muitas vezes beirava a insensatez, e em uma de suas entrevistas disse que não existiam heróis e que essa ideia era muito perigosa, principalmente pelo fato de que há sempre a possibilidade de se descobrir que seu ídolo tem pés de barro.

Hoje em dia os heróis são feitos de um material barato, apenas para serem vendidos e estragados. Confesso que tenho muito pouco apreço pelos tempos modernos, especialmente pelo que circula no meio musical de mais fácil acesso. Não que não existam pessoas boas; elas estão bem escondidas, são perigosas...

Sobre uma época em que não vivi, só posso fazer conjecturas, mas me parece que Elis Regina foi um raio de sol que despontava em meio as nuvens de chuva e tempestade. Renato Russo talvez seja como o por-do-sol do último dia de inverno, uma pausa meditativa em terra aparentemente estéril, mas pronta para renascer.


URBANA LEGIO OMNIA VINCIT
Ouçamos no volume máximo

quarta-feira, outubro 07, 2009

A menina que roubava livros


Ao pegarmos o livro na mão esperamos por uma história bastante interessante. Afinal, que tipo de história poderíamos ouvir da própria Morte? Sem contar o fato de que qualquer bibliófilo que tem em mãos um volume de mais de quatrocentas páginas já tem uma pré-disposição natural à simpatizar com a pequena ladra.

O cenário é bastante interessante: durante o regime nazista e a Segunda Guerra Mundial. Uma época em que os livros, talvez mais do que lidos, também eram queimados em grandes fogueiras em praças públicas. Um saber perigoso ou uma simples história cujo protagonista não é um autêntico alemão, representante do povo e da raça superior, já são motivos suficientes para que o material que poderia aquecer o espírito vire um mero combustível para gerar uma luz de ferir os olhos e aquecer os corpos.

Entretanto, parece que Markus Zusak teve bem pouco tempo para escrever sua longa história, deixando muitas pontas soltas ou exagerando no pieguismo.

Vejamos a nossa ilustre narradora: para tentar fugir dos clichês mais comuns sobre a Morte, Zusak retirou-lhe a foice e o rosto esquelético; modificou-lhe um pouco o trabalho, tornando-a mais uma carregadora de almas do que a morte em si; deu-lhe um coração capaz de, por quaisquer motivos que não são explicados, afeiçoar-se por determinados seres humanos. Mas a Morte manteve seu caráter quase sobrenatural de estar em todos os lugares possíveis ao mesmo tempo, na hora exata em que deve recolher uma pobre alma e levá-la sabe-se lá para onde. Está aí o primeiro defeito da obra, em minha modesta opinião. Para onde vão essas almas? Para o céu? Ou para o inferno? Irão para uma sala de espera gigantesca onde deverão esperar por toda a eternidade até que a burocracia inerente a justiça divina decida julgar o caso particular de cada indivíduo para, enfim, decidir para onde enviá-lo? Ou será que a Morte apenas carrega as almas para ir dar uma voltinha de barco com o tio Caronte?

Em meio a esse trabalho sem finalidade, é estranho ver a Morte reclamar das milhares de almas que deve carregar durante a guerra ou o massacre dos judeus. Além disso, se a narradora pode estar em tantos lugares e acompanha a morte de cada um, porque nunca sabemos o destino da mãe da roubadora de livros?

Pois bem. Ignorando a inconsistência da narradora, algo que já irá nos perturbar durante toda a leitura, somos colocados frente a pequena Liesel Meminger. Enviada a uma família adotiva, provavelmente porque a mãe fugia de perseguições políticas, a menina deve logo se acostumar com a nova família e lidar com a perda do irmão mais novo. Sua vida na rua Himmel (que quer dizer céu em alemão) é muito dura, pois a guerra impede que o pai e a mãe consigam dinheiro suficiente até mesmo para comer. Em meio a situação difícil a família ainda resolve abrigar o judeu Max Vandenburg em sua casa, mesmo com o risco de serem condenados por traição à ditadura hitlerista.

Nota-se que Zusak tentou por todos os meios fugir de clichês, lançando o olhar sobre uma família que conseguiu escapar do discurso convincente do Führer, aparentemente, pelo simples fato de terem um bom coração...

Apesar dos defeitos como obra literária, não tenho muita dúvida, de que A menina que roubava livros daria um ótimo filme. Zusak, com certeza, sabe construir imagens tocantes... só não sabe concatená-las de modo que consigam um bom efeito sobre o leitor. Mas essas imagens, se vistas rapidamente, sem muito tempo para pensar – bem à maneira dos filmes de Hollywood – certamente funcionarão bem.

Agora, aguardemos o filme. Por enquanto acho que ninguém ainda se propôs a filmar a obra, o que será um desperdício.

Alguns romancistas dão ótimos roteiristas.

domingo, outubro 04, 2009

Uma piada infame

Sinceramente, não resisti a fazer isso. Mas, eis um poste novo no blog:


Pelo menos é bonito. Fica na Praça Pedro de Toledo, mas foi rejeitado para o Google Earth.

quinta-feira, outubro 01, 2009

Site do Movimento Violão

No dia 4 de junho, coloquei aqui um post sobre o Movimento Violão. Agora o projeto conta também com um site muito bonito e que vale a pena visitar. O endereço é:

http://www.movimentoviolao.com.br/

quarta-feira, setembro 23, 2009

Vamos todos ser professores

Fato: moramos em um país onde o profissional da educação é, em geral, desvalorizado, a despeito de sua indiscutível importância. Diante desse fator, associa-se ainda a questão da qualidade do ensino, ao mesmo tempo em que se busca desesperadamente encontrar os culpados pela má (ou péssima) qualidade geral do ensino, que leva o governo a tentar mascarar a crise simplesmente baixando os padrões de exigência dos alunos.

O interessante disso tudo é o programa de incentivo lançado pelo MEC para convencer as pessoas a se tornarem professores.



Repare-se que não se fala em plano de carreira, aumento salarial, melhoria das condições de trabalho, tais como escolas limpas e bem estruturadas arquitetonicamente, salas de aula onde se consegue respirar, durante o verão, e outras coisas básicas como essas. E também ninguém comenta que há falta de professores no país, mas nem por isso o profissional vale mais (lembram da lei da oferta e procura?). Talvez exista uma preocupação com o fato de que os alunos mais brilhantes procurem outras profissões, ligadas às áreas da biologia, do direito ou da produção tecnológica.

Ainda sobre o comercial, também não é necessário comentar que não somos a França, nem a Alemanha, nem a Coréia, nem a Finlândia, países que, digamos, tem um pouco mais de história do que nós. Mas não é desculpa, só precisamos criar uma nova disposição mental, de modo que o ensino e o profissional da educação sejam valorizados. Por exemplo:


Bem, aqui temos uma propaganda e uma reportagem, uma quer te convencer e outra te informar. Mas qual convence mais?

domingo, setembro 20, 2009

Ossos com farofa


Não, o Ideias Modestas não vai ensinar a fazer qualquer tipo de trabalho em encruzilhada ou coisa parecida. É que há algumas coisas no mundo pop que são realmente engraçadas.

Provavelmente vocês já devem ter visto um adesivo com essa caveira colada em algum carro velho circulando por aí. Ou você mesmo colou uma dessas no seu caderno, fazendo o maior sucesso na escola quando tinha lá os seus treze anos, mas nunca soube de onde veio essa “assustadora” figura.

Bom, a banda chamada The Misfits não é, de fato, tão popular quanto seu mascote ossudo, mas, vez ou outra tem suas aparições na MTV com clipes assustadores e outras coisas que não tem nada a ver com música, mas que a MTV consegue sempre arrumar um bom motivo para mostrar.

Mas, vejamos: uma banda chamada The Misfits, ou “os desajustados”, nome que vem de um filme com participação da Marilyn Monroe; visual de caveira; muita maquiagem e um som que parece pesado, mas não é tanto assim, tendo até direito a uns “Ôôôô, ôôôs”... Fórmula bem conhecida, não acham?

Parece que, pelo menos nisso, os considerados fundadores do horror punk foram originais e fizeram escola, com Nine Inch Nails, Marilyn Manson (ligação interessante não?), sem falar de todas as emotividades atuais.

Já que dizem que eu escrevo muito, fico por aqui. Assistam ao clipe, deem risada, depois procurem alguma coisa realmente boa para ouvir!




Notas:
1) aqui eles até que pegaram um pouco pesado, mas a farofada deles é brava;
2) esse post é para comemorar a ultrapassagem da marca de 666 visitas.